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terça-feira – 02 de julho de 2019

Sem qualquer providência da parte dos órgãos e/ou instâncias competentes, alertados a respeito do grave problema, a invasão silenciosa do mexilhão dourado segue sem qualquer perspectiva de ação de controle ou erradicação, aumentando, a cada dia, o risco para os ecossistemas aquáticos e sistemas de abastecimento de água.

Em dezembro de 2016 foi observada a ocorrência do mexilhão dourado (limnoperna fortunei) na zona ripária da RMO – Reserva Mato da Onça (o organismo teve sua identificação confirmada por especialistas da UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco em Serra Talhada) sendo o primeiro caso do invasor exótico no Baixo São Francisco.

Pela extrema gravidade do seu significado e do potencial de grande impacto nos ecossistemas aquáticos nativos, além de comprometimento de sistemas de abastecimento de água em prazo indeterminado, foi encaminhada notícia de alerta aos principais órgãos gestores ambientais federais e estaduais (secretarias de meio ambiente, IBAMA e outros) e da bacia hidrográfica do rio São Francisco (ANA – Agência Nacional de Águas, CBHSF – Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, dentre diversos). Foram produzidos dois alertas (veja aqui o Alerta 01 e aqui o Alerta 02).

O mexilhão dourado no Baixo São Francisco também foi matéria principal em nosso informativo Pelas Carreiras – 19/2016.

A não ser a ANA – Agência Nacional de Águas, que teve o comunicado protocolado em seu sistema eletrônico para ofícios, que respondeu de forma sucinta alegando que a questão não era de sua área de competência, o problema não gerou qualquer réplica.

Para conhecimento geral, o MMA – Ministério do Meio Ambiente criou, em dezembro de 2003, através da portaria MMA no. 494, a Força Tarefa Nacional (FTN) para o Controle do Mexilhão Dourado. Não foi acionado.

Em cartografia do G1 de abril de 2019, o Baixo São Francisco não consta como zona de ocorrência, apesar do conhecimento dos órgãos vinculados ao problema. Imagem | g1.globo.com

Em dezembro de 2018, através da Portaria no. 3.639 do MMA – Ministério do Meio Ambiente, foi criado o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) no Brasil – Plano Mexilhão-dourado.

Passados dois anos e meio, desde a identificação do organismo, não são conhecidas quaisquer iniciativas para o controle e combate da espécie invasora que, junto ao grave problema da expansão dos bancos de algas verdes e vegetação exótica invasora (as macrófitas), contribui para o comprometimento dos já definhados e terminais ecossistemas aquáticos no Baixo São Francisco.

Notas e fontes

Informativo Pelas Carreiras – 019/2016

Cartografia G1 – https://g1.globo.com/natureza/desafio-natureza/noticia/2019/04/26/proliferacao-de-especie-invasora-de-mexilhao-afeta-hidreletricas.ghtml

Imagem do topo – Mexilhões dourados no Baixo São Francisco. Imagem | Canoa de Tolda ©2019

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