Rota das canoas

Histórico

Ao longo de mais de 10 anos de atuação em todo o Baixo São Francisco, onde diversas ações foram efetuadas junto com as comunidades ribeirinhas, foi idealizada a retomada das navegações entre o sertão e a foz, numa tentativa de restabelecimento, ainda que de forma parcial e sazonal, de ligações entre as pequenas comunidades (que contavam, há vários anos atrás, com intensa navegação em todo o trecho baixo do São Francisco).

Inicialmente esta proposta teve partida através da exibição itinerante de documentários, com o nosso projeto Cine Beira Rio® – Cinema Itinerante do Baixo São Francisco, até então operado a partir de uma de nossas embarcações, uma pequena lancha de alumínio de 6,50m, com motor de popa de 25 HP, em temporadas ao longo do ano, ou em exibições/eventos isolados.

Desde a aquisição da canoa de tolda Luzitânia, e durante todo o trabalho de restauro, a Sociedade Canoa de Tolda entendeu (inclusive quando apresentada pela entidade a proposta de tombamento ao IPHAN, em 2000) que a embarcação deveria voltar a navegar no Baixo São Francisco, ao invés de se constituir numa peça estática em exposição.

Era visível, ainda, o potencial da Luzitânia como elemento capaz de propiciar e reforçar diversas atividades regionais que seriam o foco de um projeto de turismo ecológico-cultural e histórico sustentado. Esta possibilidade ao mesmo tempo integraria ações locais nas comunidades engajadas, valorizaria patrimônios naturais, históricos, culturais e afetivos ao longo de todo o baixo São Francisco, e criando ainda uma alternativa viável de preservação e manutenção de um dos principais objetos do projeto, a canoa de tolda Luzitânia.

Com a proposta da inciativa do Rota das Canoas, temos como principal objetivo, a preservação e conservação, de forma ativa, de um dos mais importantes elementos do patrimônio histórico naval – com todas as suas implicações culturais e afetivas – do Baixo São Francisco, de forma compartilhada com as comunidades ribeirinhas, através de viagens de navegação a bordo da canoa de tolda Luzitânia.

Este percurso, entre a região da foz (Piaçabuçu, AL e Brejo Grande, SE) e a cidade de Piranhas (AL), com escalas nas comunidades ribeirinhas e locais de interesses histórico, cultural, cênico, social, de observação de fauna e flora, terá como prioritária a participação das comunidades ribeirinhas nas prestações de serviço nas paradas agendadas, além de possibilitar a retomada de vinculo da própria comunidade a um de seus mais fortes símbolos afetivos, a canoa de tolda e toda sua carga sociocultural e histórica.

 

Os roteiros

Dentre as possibilidades de navegações a serem ofertadas, temos três possibilidades iniciais de trajetos ou circuitos:

A Carreira do Sertão: Reativação da navegação de longo curso no Baixo São Francisco, entre a foz (Brejo Grande, SE e Piaçabuçu, AL) e o sertão (Piranhas, AL), com cerca de seis a oito passageiros pagantes, ao longo de cinco dias na freqüência de 01 (uma) viagem mensal (inicialmente), durante os períodos de estiagem. Ocorrerão paradas na cidade de Penedo, AL e povoados estratégicos ao longo da viagem. Nas paradas os passageiros terão acolhida (refeições, pousada) pelas comunidades, caminhadas e passeios nas imediações, possibilidade de aquisição de produtos locais (mel orgânico, bordados, rendas, esculturas, frutas, trabalhos manuais, etc.), feiras, observação de fauna, flora, conhecimento da realidade local, aspectos cênicos, históricos e culturais, visitas a oficinas de artesãos, sítios arqueológico-históricos (currais de pedra, edificações significativas, região de cangaço, sítios arqueológicos com acesso autorizado), projetos de reflorestamento e desenvolvimento sustentado, estaleiros tradicionais. Estas atividades serão realizadas unicamente com guias locais.

A Carreira da Praia: Entre Piaçabuçu, AL e Penedo, AL. Neste caso poderão ser embarcados até 15 passageiros, em Piaçabuçu. Após navegação de cerca de 04 (quatro) horas chega-se a Penedo, onde guia local receberá os viajantes para circuito pela cidade histórica, onde poderão permanecer ou ter traslado, por terra (ou via aérea, no caso da reativação do aeroporto de Penedo, em curso), para outra localidade. Este roteiro ocorreria nos períodos de menor demanda da Rota do Sertão, ou sob contratação exclusiva.

Canoa dos Estudantes: Parafraseando o termo utilizado para a tradicional ¨lancha dos estudantes¨, que transporta alunos entre seus povoados e as sedes ou comunidades onde estão as escolas públicas, neste caso teremos percursos inicialmente também entre Brejo Grande/Piaçabuçu e Neópolis/Penedo, com alunos das redes públicas estadual e municipal.  A bordo, ao longo da navegação, poderão ministradas aulas de história, geografia, educação ambiental. Em seguida, este programa deverá – por temporadas – ser levado ao sertão e agreste, para também em percursos com duração similar, possibilitar embarques para alunos das demais regiões. Este roteiro deverá ter patrocínio exclusivo para o mesmo, sendo executado em parceria com as secretarias estaduais e municipais de educação, cultura e meio ambiente de Alagoas e Sergipe.

 

Resultados esperados pela iniciativa

O estabelecimento de condições de proteção, preservação e manutenção da canoa de tolda Luzitânia, em conjunto a alternativas de geração de renda nas comunidades participantes onde a contrapartida fatalmente deverá significará a valorização dos patrimônios culturais, históricos, naturais e afetivos de nossa região, materiais e imateriais.

O reconhecimento e divulgação de uma proposta, que, partindo de um projeto inicial de recuperação, restauro e valorização de um bem (no caso especifico da canoa de tolda Luzitânia) do nosso patrimônio histórico naval, mas com profundas ramificações (afetivas, culturais, simbólicas) em todo o contexto de nossa região, teve seu desdobramento criando inúmeras possibilidades de sustento para o projeto original e seus desdobramentos, provocando ações de mobilização e organização por parte de outros grupos no Baixo São Francisco e demais regiões do país.

Também estará se buscando uma forma de atividade econômica sustentada que produza ao mesmo tempo recursos para a proteção, preservação e conservação de importante elemento histórico cultural e afetivo – a canoa Luzitânia, e o restabelecimento de sua integração com as atividades locais das comunidades que serão beneficiadas ao serem engajadas de forma remunerada em todo o processo.

 

Circunstâncias que favorecem

1-    A abrangência do projeto, atingindo comunidades e locais de interesse da maioria dos municípios alagoanos e sergipanos do Baixo São Francisco;

2-    A bem sucedida finalização do Projeto Canoa de Tolda (de restauro da tradicional canoa de tolda Luzitânia), que irá proporcionar o uso da mais tradicional embarcação, um dos grandes símbolos afetivos dos tempos de fartura do Baixo São Francisco;

3-    A dinâmica das relações da Sociedade Canoa de Tolda com a população ribeirinha, através de diversas atividades que motivam grande mobilização de público como a exemplo de todas as exibições itinerantes do Projeto Cine Beira Rio® e demais apresentações isoladas anteriores;

4-    A valorização e crescente demanda do turismo cultural-ecológico e histórico integrado com as atividades cotidianas de pequenas comunidades e ao patrimônio histórico local;

5-    A ausência de qualquer iniciativa similar na região por qualquer entidade e/ou órgão público/privado que tenham antecedentes semelhantes.

 

Ganhos sociais e culturais

1- Ganhos sociais de forma direta: engajamento de membros das comunidades ribeirinhas em atividades diretamente ligadas à execução do projeto (pessoal embarcado na canoa ¨Luzitânia¨, pessoal engajado nas atividades de logística do projeto, guias locais em cada povoado, prestação de serviços de refeições e hospedagem em casas de famílias das localidades).

2- Ganhos sociais de forma indireta: possibilidade de venda de produtos locais (rendas, bordados, mel orgânico, frutas, obras de arte, artesanato, peixes, aves, carnes e hortaliças utilizados nas refeições locais, etc.); fornecimento de serviços locais (passeios em pequenas embarcações a vela ou motor, para circuitos locais curtos, aluguel de animais, como, aluguel de carroças, de carros de boi, jegues para passeios na caatinga ou sítios históricos de beleza cênica, aluguel de bicicletas, etc.).

Nota – em ambos os itens acima, haverá ainda a complementação de ganhos através de contrapartidas a serem realizadas pelas comunidades como, por exemplo, a limpeza do local, manejo de resíduos sólidos, compromisso de afastamento de animais dos locais onde os moradores se banham e fazem coleta de água, limitação de circulação de animais nas zonas próximas ao casario, escolas, controle de desmatamento nos entornos e mata ciliar, engajamento em projetos de recuperação de mata ciliar e mutirões de limpeza e reaproveitamento de lixo, etc., a exemplo de experiências anteriores que a Sociedade Canoa de Tolda realizou em diversas comunidades. Desta forma serão valorizadas as condições de limpeza, bem estar da comunidade, e do próprio conjunto do patrimônio natural, histórico, paisagístico de cada localidade.

3- Ganhos culturais – para os visitantes a possibilidade de acesso de forma única e intensa a uma região onde paisagem, cultura e história estão ligadas de forma indissolúvel, e inexiste qualquer alternativa de visitação. Para nossas comunidades, a compreensão de que a valorização, proteção e preservação de nossos patrimônios históricos e culturais, materiais e imateriais além de possibilitar a sua proteção contra a desagregação, pode ser a base de uma atividade econômica interessante.

 

Diferencial do projeto

Pela primeira vez, em nossa região (em seguida a um bem sucedido projeto de resgate de patrimônio histórico material e imaterial) e muito provavelmente no país, temos uma iniciativa que integra não só a valorização de um patrimônio único (a canoa de tolda ¨Luzitânia¨ e sua bagagem de importância histórica, afetiva), mas todo o contexto no qual está inserido (a paisagem onde navega, a retomada de práticas/atividades praticamente extintas, reintegração de ligações afetivas e sócio culturais entre comunidades da margem). Pelas próprias características da embarcação e todos os seus componentes, fielmente restaurados e preservados, a navegação em si já constitui uma atividade particular e inesquecível, com forte poder de atração.

 

Sustentabilidade das ações

O Projeto Rota das Canoas, em sua forma geral não implica em mudanças estruturais na vida de seus participantes. Ainda que todos devam participar de ações de treinamento e/ou capacitação, se comprometerem a determinadas contrapartidas, ou ainda adequarem/melhorarem instalações particulares e comunitárias para o recebimento de visitantes e prestação de serviços, suas atividades diárias permanecerão em curso, constituindo-se na verdade como um dos atrativos do projeto. Reforçamos ainda que pelo fato deste projeto não ser voltado para atividades de turismo de massa, e, priorizando-se antes de tudo a preparação das comunidades (que poderão optar em participar ou não do projeto) e o estabelecimento de regras de conduta, temos a garantia da contenção de práticas especulatórias,  minimização de conflitos e efeitos nefastos gerados pela ação predatória dos moldes do turismo hoje praticado em parte da nossa região (sobretudo na foz, em Piaçabuçu, AL e Brejo Grande, SE).

 

Beneficiários

Serão beneficiários potenciais, quando da operacionalização das atividades cerca de 1.630 (hum seiscentos e trinta) pessoas, de forma direta e indireta, nas comunidades mencionadas no item (d) abaixo.

Faixa etária – participarão do projeto pessoas das comunidades ribeirinhas a partir de 16 anos;

Camada social – participarão do projeto pessoas das comunidades ribeirinhas envolvidas em atividades diversas como donas de casa, estudantes, pescadores, professores, pequenos comerciantes, pequenos agricultores, pequenos apicultores, barqueiros, mestres carpinteiros navais, artesãos e artistas, bordadeiras, costureiras, doceiras, cozinheiras, pequenos proprietários de pensões familiares;

Gênero – participarão do projeto pessoas de ambos os sexos.

Localização geográfica – participarão do projeto pessoas das comunidades ribeirinhas abaixo citadas:

Margem alagoana – Piaçabuçu; Penedo; Povoado Munguengue (município de Traipu); Sede de Traipu; Povoado Cazuqui (município de Traipu); Barra do Ipanema (município de Belomonte); Vila Limoeiro (município de Pão de Açúcar); Sede de Pão de Açúcar; Povoado Ilha do Ferro (município de Pão de Açúcar); Povoado do Mato da Onça (município de Pão de Açúcar); Povoado de Entremontes (município de Piranhas); Sede de Piranhas.

Margem sergipana – Povoado Cabeço (município de Brejo Grande); Sede de Brejo Grande; Sede de Propriá; Povoado Escurial (município de Nossa Sra. de Lourdes); Sítio da Tabanga (município de Gararu); Sede de Gararu; Povoados Genipatuba e Cabaceira (município de Gararu); Comunidade Indígena da Ilha de São Pedro (município do Porto da Folha); Povoado Bonsucesso (município do Poço Redondo); Curralinho (município do Poço Redondo).

 


     
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